Inteligência Artificial versus Inteligência Autoral

A IA é uma das maiores descobertas do século - tal como a internet, que mudou totalmente a forma como vivemos, interagimos com os outros e fazemos negócios.
Mas, qual deverá ser o lugar dela?
Pra mim, a IA é uma forma de trabalho. Uma forma de conseguirmos fazer algo mais rapidamente, que nos permite cruzar padrões e ter possibilidades que de outra forma nunca teríamos. Como tudo na vida, tem o seu lado B: não sabe parar, nem escolher exatamente o que nós queremos.
Talvez faça isso quando conseguir ler mentes 🥲 #deusnoslivre.
Quem a usa como um destino final, faz tudo igual (até rima para ficar na cabeça).
Por isso, tenho pensado cada vez mais nalgo que deve complementar: a Inteligência Autoral. É aquela que guarda quem somos, porque é que fazemos o que fazemos e para onde queremos ir.
E acredito, inclusive, que ela dá resposta a uma das questões que tanto nos preocupa: será que vou ser substituída pela IA?
Quem faz o que faz de coração, com a certeza de que o que tem dentro de si vai mudar o mundo, é impossível de substituir.
A paixão é impossível de ser replicada por máquinas
A paixão é o que nos aproxima ou afasta uns dos outros, mas, de qualquer das formas, é o que nos faz sentir algo.
E quando vejo arte gerada por IA, música feita por IA, lá no fundo sinto que falta sempre alguma coisa (tu também?) - a emoção que vem da nossa história, da nossa experiência, de tudo o que já passámos, dos altos e dos baixos sacanas que vivemos e do que aprendemos com isso.
A cada dia que passa fico mais tranquila de que a IA não vai substituir todos os trabalhos do mundo. Com isto, não estou a ignorar que existe uma coisa muuuuuuito poderosa chamada ganância corporativa, que vai sempre tentar automatizar e "limpar" trabalho. Mas, com a IA que temos atualmente, mantenho a perspetiva de que o que "se vai" será o trabalho repetitivo e sem alma - e esse até nós, empreendedoras, podemos automatizar para ganharmos tempo para as coisas que realmente nos apaixonam.
O bromance entre I. Artificial × I. Autoral
Vamos a um exemplo prático? Uma das coisas em que estou a investir agora é tentar mapear onde e porquê estou a usar IA, de forma a nunca me afastar do propósito de inovar, mas sempre com a minha voz por trás.
Um dos exemplos foi o post do Dia da Criança, em que optei por fazer a capa com IA porque é, sem dúvida, mais impactante. Quem não gostava de ver a sua versão de 5 anos abraçar a sua versão de hoje? E funcionou - foi diferente o suficiente para parar o scroll e fazer as pessoas lerem os slides a seguir.
Mas esses mesmos slides, se fossem cheios de IA slop - o lixo feito pela IA - seriam só mais uns. Só mais um texto gerado por uma IA qualquer. Por isso, optei por colocar a minha história, a minha mensagem, a minha voz.
Resultado: o post correu muito melhor do que eu estava à espera e em poucos minutos já havia várias pessoas a querer fazer algo semelhante, a querer o prompt.
Aí sim, usei a inteligência artificial para criar uma página nova dentro do meu site com vibe coding, para fazer rapidamente esse passo-a-passo e poder dar o link a toda a gente. Não sou especialista em sites - por isso uso IA para resolver.
Além disso, com o link pronto, automatizei as respostas para que quem comentasse a palavra "criança" recebesse imediatamente o guia que tinha acabado de criar. Para mim esta é uma das melhores funcionalidades, porque me permite dar uma resposta rápida ao meu público sem precisar de estar lá. Eles também já contam com isso: contam com a entrega de algo útil, não com uma resposta personalizada. É o pacto perfeito!
E quando todo este processo estava feito, voltei a "chamar" a inteligência autoral - fui aos stories do Instagram explicar este processo exatamente como estou a fazer aqui. Sem scripts engessados, só o telemóvel e eu.
Produzir conteúdo, toda a gente produz. Numa época em que está tudo a ficar tão igual, são as partilhas de vida real que fazem a diferença.
Mais rapidez, mais eficiência, mais… vazio?
Numa era em que toda a gente está a vender mais rapidez, mais eficiência, mais, mais, mais - não te esqueças de que, se isso for feito de forma vazia, pode significar apenas mais… vazio, superficialidade.
No fim de contas, o que acaba por fazer a diferença é a profundidade do que trazemos e como isso chega ao outro.